Dra. Fernanda Fernandes – Coloproctologista em Brasília – DF

O que é a Síndrome do Intestino Irritável (SII)?

A Síndrome do Intestino Irritável (SII) é a desordem funcional intestinal mais comum na prática clínica. Trata-se de uma condição caracterizada por alterações no funcionamento do intestino, sem que haja uma lesão estrutural identificável nos exames convencionais.

A principal manifestação da SII é a presença de dor ou desconforto abdominal recorrente, geralmente nos últimos seis meses, associada a alterações do hábito intestinal. Esses sintomas podem impactar significativamente a qualidade de vida do paciente, interferindo em aspectos físicos, emocionais e sociais.

Diferente de outras doenças intestinais, a SII não causa inflamação visível, feridas ou alterações anatômicas. Ainda assim, os sintomas são reais, frequentes e muitas vezes intensos.

Existem exames para diagnosticar a SII?

Um dos pontos mais importantes sobre a Síndrome do Intestino Irritável é que não existe um exame específico que confirme o diagnóstico.

Por se tratar de uma alteração funcional — ou seja, no modo como o intestino funciona — o diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na história do paciente e em critérios bem estabelecidos.

É comum que pacientes com SII tenham realizado diversos exames ao longo do tempo, como colonoscopias, endoscopias, exames de imagem e laboratoriais, na tentativa de encontrar uma causa orgânica para os sintomas. Na grande maioria dos casos, esses exames não apresentam alterações relevantes.

Essa ausência de achados pode gerar insegurança no paciente, que muitas vezes passa a questionar se o problema está sendo corretamente investigado. No entanto, quando os critérios clínicos são atendidos e não há sinais de alarme, o diagnóstico de SII pode ser feito com segurança.

Quais são os critérios diagnósticos da SII?

O diagnóstico da Síndrome do Intestino Irritável é baseado nos chamados Critérios de Roma, amplamente utilizados na prática médica.

De acordo com esses critérios, o paciente deve apresentar:

  • Dor ou desconforto abdominal recorrente, pelo menos 3 vezes por mês nos últimos 3 meses;

Associado a dois ou mais dos seguintes fatores:

  • Relação com a evacuação (melhora ou piora após evacuar);
  • Alteração na frequência das evacuações;
  • Alteração na forma ou aparência das fezes.

Além disso, é fundamental que não haja sinais de alarme, como perda de peso inexplicada, sangramento intestinal, anemia ou histórico familiar relevante de câncer colorretal.

Então, nenhum exame é necessário?

Para o diagnóstico da SII em si, não. No entanto, exames podem ser necessários para descartar outras condições ou investigar doenças associadas.

Muitos pacientes com SII apresentam condições concomitantes que podem influenciar os sintomas, como:

  • Disbiose intestinal (desequilíbrio da microbiota);
  • Intolerância à lactose;
  • Sensibilidade alimentar;
  • Supercrescimento bacteriano no intestino delgado (SIBO);
  • Supercrescimento de metanogênicos (IMO).

Nesses casos, exames complementares podem ser indicados de forma individualizada, tais como:

  • Colonoscopia;
  • Endoscopia digestiva alta;
  • Tomografia ou ressonância de abdome;
  • Testes respiratórios;
  • Exames laboratoriais.

A indicação deve sempre ser criteriosa, evitando excessos e focando no que realmente pode impactar o tratamento.

Quais são os tipos de SII?

A Síndrome do Intestino Irritável pode se manifestar de diferentes formas. Classicamente, ela é dividida em quatro subtipos:

SII com constipação

Predomina o intestino preso, com evacuações difíceis, fezes endurecidas e sensação de evacuação incompleta. A dor abdominal pode melhorar após evacuar.

SII com diarreia

Caracteriza-se por evacuações frequentes, fezes amolecidas ou líquidas e urgência evacuatória. Muitos pacientes relatam alívio da dor após evacuar.

SII mista

Há alternância entre períodos de constipação e diarreia, com irregularidade do hábito intestinal. É um dos quadros mais desafiadores.

SII com padrão indefinido

Quando há dor abdominal recorrente, mas sem um padrão claro de alteração do hábito intestinal.

Como a SII se desenvolve?

A SII é considerada um distúrbio da interação intestino-cérebro. Isso significa que há uma comunicação alterada entre o sistema digestivo e o sistema nervoso.

Diversos fatores estão envolvidos nesse processo, incluindo:

  • Alimentação;
  • Estresse;
  • Aspectos emocionais e comportamentais;
  • Alterações da microbiota intestinal;
  • Ativação do sistema imunológico.

Entre os mecanismos fisiopatológicos mais importantes estão:

  • Alterações na motilidade intestinal (intestino mais rápido ou mais lento);
  • Hipersensibilidade visceral (intestino mais sensível à dor);
  • Alteração da permeabilidade intestinal;
  • Disbiose intestinal;
  • Alterações na sinalização entre intestino e cérebro.

A disbiose tem ganhado destaque, especialmente quando associada a condições como SIBO (mais comum em quadros de diarreia) e IMO (mais associado à constipação).

Como é feito o tratamento da SII?

O tratamento da Síndrome do Intestino Irritável é clínico e deve ser individualizado. Não existe uma única abordagem que funcione para todos os pacientes.

Na maioria dos casos, o melhor resultado é alcançado com uma abordagem multidisciplinar, que pode incluir médico, nutricionista, psicólogo e outros profissionais.

Os pilares do tratamento incluem:

  • Educação do paciente sobre a doença;
  • Ajustes na alimentação;
  • Prática regular de atividade física;
  • Manejo do estresse;
  • Uso de medicações quando necessário.

A relação médico-paciente é fundamental, pois o entendimento da doença reduz ansiedade e melhora a adesão ao tratamento.

Quais medicamentos podem ser utilizados?

O uso de medicamentos depende do tipo de SII e dos sintomas predominantes.

Algumas opções incluem:

  • Para constipação: laxantes osmóticos e, em alguns casos, secretagogos intestinais;
  • Para diarreia: moduladores do trânsito intestinal, incluindo agonistas ou antagonistas opioides;
  • Para dor abdominal: antiespasmódicos e alternativas como óleo de hortelã-pimenta (peppermint oil), que atua relaxando a musculatura intestinal.

Em alguns casos, podem ser utilizados medicamentos que atuam no eixo intestino-cérebro, especialmente quando há associação com ansiedade ou hipersensibilidade visceral.

Existe uma dieta ideal para SII?

Sim, a alimentação é uma das principais ferramentas no controle da SII. A dieta mais estudada e recomendada é a dieta low FODMAP, que consiste na redução de carboidratos fermentáveis e de difícil absorção, como:

  • Oligossacarídeos (trigo, centeio, cebola, alho);
  • Dissacarídeos (lactose);
  • Monossacarídeos em excesso (frutose);
  • Polióis (adoçantes artificiais, como sorbitol e manitol).

Esses compostos podem causar aumento de gases, distensão abdominal e dor em pacientes sensíveis.

Outras abordagens alimentares que vêm sendo estudadas incluem:

  • Dieta mediterrânea;
  • Dieta com baixo teor de amido e sacarose;
  • Dieta sem glúten (em casos selecionados).

A individualização é essencial — nem todos os pacientes respondem da mesma forma.

Qual é a melhor forma de cuidado para o paciente com SII?

A melhor abordagem para a Síndrome do Intestino Irritável é aquela que enxerga o paciente de forma integral.

O tratamento ideal envolve uma equipe multidisciplinar, que pode incluir:

Gastroenterologista ou proctologista;

  • Nutricionista;
  • Psicólogo;
  • Psiquiatra (em alguns casos);
  • Fisioterapeuta especializado;
  • Acupunturista.

Essa integração permite atuar não apenas nos sintomas, mas também nas causas e nos fatores que perpetuam a doença.

Como a Dra. Fernanda Fernandes pode ajudar?

A Dra. Fernanda Fernandes é médica proctologista, com título de especialista pela Sociedade Brasileira de Coloproctologia.

Possui formação sólida, incluindo:

  • Residência em Cirurgia Geral pela Santa Casa da Bahia;
  • Residência em Coloproctologia pelo Hospital de Base do Distrito Federal;
  • Pós-graduação em Doenças Funcionais do Aparelho Digestivo pelo Hospital Israelita Albert Einstein.

Em seu consultório, realiza atendimento completo de pacientes com condições intestinais, como:

  • Hemorroidas;
  • Fissura anal;
  • Plicomas anais;
  • Cisto pilonidal;
  • Constipação intestinal;
  • Diarreia crônica;
  • Síndrome do Intestino Irritável.

Além disso, oferece protocolos de cuidado multidisciplinar, envolvendo nutricionista, psicóloga, fisioterapeuta pélvico e acupunturista, promovendo uma abordagem mais completa e eficaz.

Também possui experiência em técnicas modernas minimamente invasivas, incluindo uso de laser e procedimentos avançados.

Como controlar os sintomas no dia a dia?

O controle da SII passa, em grande parte, pelo autoconhecimento. Identificar gatilhos é essencial. Eles podem ser:

  • Alimentares;
  • Emocionais;
  • Comportamentais.

Quanto mais o paciente entende o seu próprio corpo, maior é sua capacidade de prevenir crises e agir precocemente quando os sintomas surgem. Mudanças simples, quando bem direcionadas, podem ter grande impacto na qualidade de vida.

A SII pode evoluir para câncer?

Não. A Síndrome do Intestino Irritável não aumenta o risco de câncer de intestino e não evolui para doenças malignas. Essa é uma informação importante para tranquilizar pacientes, já que o medo de doenças graves é comum nesse contexto.

A SII tem cura?

A SII não possui uma cura definitiva. No entanto, é plenamente possível controlar os sintomas.

Com o tratamento adequado — incluindo ajustes na dieta, uso de medicações quando necessário e mudanças no estilo de vida — muitos pacientes conseguem ficar longos períodos sem crises e com excelente qualidade de vida.

O foco não deve ser apenas “curar”, mas sim controlar, entender e viver bem apesar da condição.

Agende Sua Consulta e venha tratar a SII.

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